Lisboa 2004
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Hellmut Wohl, Agora que revejo os desenhos de João de Almeida, penso que
além de lindíssimos como desenhos, são
únicos na resposta que dão às formas da natureza.
Talvez fosse até mais ajustado dizer que eles são lindos como
desenhos por causa da resposta que dão às formas da natureza.
Se tivesse de caracterizar essa resposta a palavra que usaria seria
táctil. O aspecto mais fundamental em que os desenhos de João
de Almeida se tornam únicos é que eles transmitem uma
percepção das árvores e dos rochedos não como
objectos inanimados mas como seres vivos. A sua mão acompanha e modela
as concavidades, as saliências, o subir e descer das cadências
das rochas como se elas fossem corpos vivos e respirassem. |
João Bénard da Costa, A uma primeira impressão, tudo nestes desenhos nos é
familiar. Reconhecemos os sítios, os objectos representados, a luz,
o espaço e o tempo. Mas quanto mais os olhamos, mais tudo se torna
irreal e fantomático, como se o artista ao dizer falésias,
pinheiros, nuvens, nos estivesse a dar simultaneamente uma evidência
e uma obscuridade. São desenhos do oposto, em que de nada estamos
certos senão da visão. |


